Observando a mente

Estou me aventurando no budismo de novo. Não que eu seja um praticante que passa horas meditando e praticando a compaixão, ou demonstre publicamente qualquer benefício que o ch´an representa pra quem observa a própria mente – muito longe disso.  Estou só lendo os livros que tinha na época em que eu realmente levava a coisa a sério, e tenho me deparado com pequenas verdades sobre o budismo, a meditação, o ch´an, o samadhi e tudo mais que expõe a prisão mental e espiritual que é viver no que achamos que é a existência.

Acho que me bateu a vontade de ler depois de dois fatos que aconteceram recentemente comigo: esta conversa e quase uma semana de silêncio causada por uma laringite lazarenta que me tirou a voz, mas que no final me mostrou que quando falamos o tempo todo não nos escutamos.

Eu até podia falar, sussurrando ou baixinho. Mas doía. Eu não me comunicava pra me poupar. Quando percebi, estava prestando atenção nos meus pensamentos, porque não estava engajado em escutar os outros verbalizando seus pensamentos. Parece egoísta, mas é bem diferente quando começamos a escutar. E é calado que se enxerga como a cabeça da gente não pára quieta, pulando de pensamento em pensamento sem se fixar profundamente no conceito de nenhum deles – sem se concentrar. É horrível de ver quando se dá conta, mas é um sinal de que existe “consciência” sobre a própria consciência, e que você já passou pela primeira parte da coisa toda: saiu do exterior e se focou internamente.

Tente manter o silêncio e perceba as coisas ao seu redor, e depois perceba sua própria mente. É difícil se fixar, de se concentrar. Acho que muita coisa sobre como funciona nossa cabeça foi publicada na Super Interessante desse mês, na matéria de capa sobre ansiedade e como a vida que levamos hoje em dia faz nossa consciência funcionar como um radar procurando ameaças – mas num grau muito maior do que realmente preciamos pra manter a integridade física. E isso tira nossa atenção, de certa maneira.

O budismo exige disciplina e paciência, coisas que não costumam ser compatíveis com nossa rotina e modo de vida, ou a boa e velha loucura do século XXI. Mas dá pra dar um jeito cotidiano na cabeça e escutar a própria consciência.

É só ficar quietinho.

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