Para Zion…

Mikey Dread se foi. Deixou o sofrimento da doença e foi fazer parte da eterna paz e serenidade da única fonte de existência real (que alguns chamam de Jah, outros de Deus, de Allah, Jeovah…)

Talvez a maior lição de Mikey (sem considerar os magníficos toasts e a ginga no soundsystem) esteja em seu maior hit, “Roots and Culture“: não nos esqueçamos de onde viemos! Não nos esqueçamos quem somos! Não devemos cuspir no prato que comemos.

Na música, Mikey se refere aos rastas que, depois de experimentarem a fama e o dinheiro (que vem como consequência), esquecem que vieram dos guetos de Kingston, da miséria, da falta de recursos e de atenção. O ego fala mais alto, a cocaína entope o cérebro, e o rastafarianismo vira fachada: a espiritualidade, real busca dos rastas, prega conceitos como a humildade, igualdade, respeito e cuidado com o corpo –  abandonados nas orgias em quarto de hotéis e em brigas desnecessárias por títulos de “reis do reggae”.

É uma lição que serve para todo mundo, não somente aos rastas. Somos todos feitos da mesma coisa, desde o pó no chão ao prédio mais alto do mundo; do microorganismo que reside nos entulhos do lixão aos pratos mais caros dos mais luxuosos restaurantes. Somos todos uma única coisa, não importa de onde viemos ou onde estamos. Somos todos parte do mesmo todo.

Descanse em paz, Mikey.
(01-01-1954 em Port Antonio, Jamaica – March 15, 2008, em Connecticut, EUA)

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