O movimento verde e a maquiagem verde

Rex Weyler, “historiador não-oficial” do Greenpeace, tem uma coluna mensal no site do Greenpeace Internacional onde escreve sobre as questões ambientais do ponto de vista de um ex-Greenpeace, macaco velho e calejado.

Na coluna desse mês, Weyler critica a “onda verde” que tem tomado de sopetão os noticiários, os produtos que consumimos, as idéias que andamos tendo. Uma consciência ecológica em massa é tudo o que os ambientalistas sempre desejaram; mas, o que é real e o que é marketing, ou “maquiagem verde” hoje em dia? Weyler se indaga sobre o mesmo:

“To be fair, for decades, those in the environmental movement have wanted ecology to become popular, so we can hardly complain that it is. Consumer choices impact the environment, and we might rejoice that the shopping public is aware of this. Nevertheless, since consumption itself remains a root cause of our ecological crisis, we must ask: “Who is really gaining ground and who is blowing promotional smoke?”

Não que eu queira me comparar a Weyler, mas eu também já tinha me perguntado sobre isso quando li o Manual de Etiqueta da Planeta Sustentável (que tem entre seus parceiros a Bunge, transgênica até o último grão de soja).

Esses dias vi um comercial de alguma TV por assinatura que mostrava uma árvore desde a sua derrubada até virar um guia de programação, finalizando com o locutor dizendo algo do tipo “você não acha um absurdo derrubarem uma árvore só pra publicar um guia de TV?“. Há alguns anos, um comercial desse tipo assinado por algum grupo ambientalista seria visto com desprezo – hoje, usar da questão ambiental pra se promover é marketing moderno, digno de séria preocupação das diretorias corporativas.

Mas o que está acontecendo com a gente? Por que somos tão bons em aproveitar as tendências que nos rodeiam para nos promover, e péssimos em dar o braço à torcer e reconhecer que precisamos mudar nossas atitudes? De nada adianta sair dizendo que apoiamos projetos ambientais, ou que reflorestamos áreas enormes, ou que nossos produtos consumem menos energia, se para oferecermos os melhores produtos em nossas prateleiras cruzamos o mundo transportando a matéria-prima, emitimos CO2 na atmosfera e poluímos o trajeto inteiro.

Um exemplo? A Wal-Mart americana agora oferece opções de produtos ecológicos nas gôndolas, bem ao lado de produtos não-ecológicos (o que acaba forçando os não eco a serem eco a longo prazo). Eles custam mais caro que os não ecológicos – mas é a tarifa que se paga por uma consciência limpa. Portanto, a Wal-Mart é uma empresa ecológica? NÃO. Dois corredores depois, você encontrará a seção de frutas e legumes, repleta das melhores e mais belas variedades que você já viu. Todas trazidas de lugares remotos, à milhares de quilômetros da unidade do Wal-Mart. Qual o custo ambiental e social de trazer ao consumidor americano o mamão papaia mais lindo que já se pôde colher, diretamente das florestas tropicais da Indonésia?

Weyler e Fidel Castro, e eu também, concordamos: precisamos mudar a mentalidade de consumo. Ela é a causa da crise ambiental.

UPDATE: transmimento de pensação: o Jorge também concorda.

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1 Comentário »

  1. […] bem diz meu camarada Edu, do Sierra Maestra: precisamos mudar a mentalidade de consumo. Ela é a causa da crise […]

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