Enquanto isso, ao sul do Equador…

A Colômbia me surpreendeu nos últimos dias.

Depois de chacinar no Equador um grupelho das FARC (incluindo nas vítimas o nº 2 do grupo) e invocar Deus e o mundo contra a Venezuela (que foi acusada de financiar as atividades das FARC, segundo dados encontrados nos computadores que resisitram ao ataque), pediu desculpas por tudo e sumiu das rodinhas diplomáticas, preferindo se abster de qualquer comentário sobre o ataque.

É bacana saber que a Colômbia resolveu dar um jeito em casa e limpar a sujeira que as FARC andam fazendo. Nenhum tipo de violência é justificável, nem em cima do ideal mais nobre – minha antipatia pelas FARC vem do fato de o grupo usar justamente a violência para se manter ativo. Mas Uribe também pisou na bola. É claro que usar de diplomacia com as FARC não era opção ao presidente colombiano, mas apelar para as mesmas táticas que tanto recrimina é, no mínimo, hipocrisia. E pior – invadir um país, iniciar um ataque e sair como se nada tivesse acontecido é excesso de confiança, quase arrogância e prepotência. Uribe imaginou que o mundo iria apoiar seu feito?

Observe o padrão “ataques – prepotência – o mundo estará ao meu lado“. Isso não lembra um certo país norte-americano, especialista em pagar de salvador dos oprimidos, mesmo quando o uso da força é necessário? Sim, é quase certo que Uribe contou com o apoio dos EUA no ataque. Em sua política de extinção do tráfico de drogas, Uribe vem sendo amplamente aplaudido pelos EUA e provavelmente conta com apoio tecnológico americano para contra-atacar as FARC. O grupo exterminado no Equador foi atingido por bombas de precisão em um local de difícil acesso, em um momento extremamente propício e de maneira rápida. Igualzinho aos primeiros ataques no Iraque e no Afeganistão, para citar os exemplos mais atuais.

Mas Uribe não é Bush, e Correa não é Saddam – o presidente equatoriano sabe que se a coisa ficar preta, Chávez trará a cavalaria anti-estadunidense. E Uribe não deve ter noção do problema que é comprar uma briga com a Venezuela. Chávez não é (nem um pouco) do tipo que fica quieto, e ser acusado de financiar as FARC num momento de baixa popularidade e de exibições mundiais de libertação de reféns das FARC é invocar a ira da reencarnação de Bolívar. É mais pano pra manga de Chávez.

É triste ver que na guerra contra as drogas, que ceifa milhares de pessoas direta e indiretamente, egos e politicagens se misturem com violência, arrogância e idealismo. Os EUA não têm muita escolha, sabem que para controlar o tráfico em seu país precisarão mexer no caldo colombiano. Mas deveriam ter aprendido, com os fracassos no Vietnã e Oriente Médio, que a tática de impor presença à base da força e do discursso messiânico não funciona, nem quando isso é feito indiretamente pelo presidente de outra nação. Os iraquianos não estão libertos da opressão (promessa não cumprida pelos EUA) e a América Latina mais regrediu do que progrediu no combate ao tráfico – Equador e Colômbia só se estranharam e Chávez saiu como o guerreiro pronto para combater as injustiças no continente.

Me pergunto se realmente entrando em recessão, os EUA terão verba pra financiar esse tipo de bagunça.

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