Imprensa chinesa ataca Spielberg por boicotar olimpíada

Tá aqui.

A imprensa oficial chinesa reagiu com acidez à renúncia do cineasta americano Steven Spielberg em colaborar com os Jogos Olímpicos de Pequim por causa da postura da China no conflito de Darfur (Sudão).

Uma nota publicada pela agência oficial Xinhua, porta-voz oficial do governo comunista, traz as reações da imprensa local uma vez levantada a censura sobre o que consideram um desdém.

Spielberg anunciou na terça-feira que renunciava a suas funções de conselheiro artístico dos jogos, por causa do apoio da China ao governo sudanês, acusado por ONGs internacionais de promover violações de direitos humanos na região sudanesa de Darfur.

“Esta pessoa (Spielberg) vive completamente em seu mundo de ficção científica e não pode distinguir a fantasia da realidade”, opina o jornal “China Youth Daily” sobre a renúncia do cineasta.

O país asiático é aliado do Sudão, que enfrenta conflitos na região de Darfur desde 2003. Estimativas dão conta de que 200 mil pessoas tenham morrido nos ataques na região oeste sudanesa.

Spielberg pediu afastamento com a justificativa de que o governo chinês nada fazia para apaziguar a situação no Sudão.

No mesmo dia da desistência de Spielberg, uma carta foi enviada ao presidente da China, Hu Jintao, condenando o apoio ao Sudão. O documento tinha a assinatura de oito ganhadores do prêmio Nobel, 13 atletas e 46 parlamentares, além de personalidades como a atriz Mia Farrow, crítica da participação do cineasta na Olimpíada.

UPDATE (valeu, Élcio):

Comitê Olímpico Internacional libera blogs nos Jogos

Assolado por pressões internacionais contra a Olimpíada de Pequim, o COI (Comitê Olímpico Internacional) liberou os blogs de atletas durante os Jogos, em agosto.

Será a primeira vez na história olímpica que os competidores poderão relatar suas experiências pessoais no evento através de diários eletrônicos.

Autorizados, os blogs podem ser arma importante de ONGs que lutam por mais liberdade na China. Afinal, na Olimpíada, os atletas poderão dar visibilidade global às reivindicações.

Essa é a crença de entidades como a Olympic Watch, criada na República Tcheca, que prega o boicote olímpico. “Sabemos que é difícil aos atletas abrir mão de participar da Olimpíada. Mas, definitivamente, eles não são máquinas de alta performance desprovidas de consciência”, disse à Folha Petr Kutilek, secretário-geral da ONG.

A Anistia Internacional, impedida de trabalhar na China, estimula os atletas a aproveitarem a Olimpíada para se manifestar sobre a situação local.

A entidade também critica os países que tentam proibir suas delegações de expressar opiniões sobre o assunto. O comitê olímpico do Reino Unido ensaiou o veto, mas voltou atrás.

Os temas políticos vieram à tona nesta semana, quando Steven Spielberg, diretor artístico dos Jogos, pediu demissão.

O cineasta deixou o posto criticando o apoio da China ao governo do Sudão, acusado de ajudar milícias a promover massacre aos rebeldes da região de Darfur (oeste do país).

Calcula-se que o conflito já provocou mais de 200 mil mortes e a fuga de 2,5 milhões de pessoas. A China compra petróleo e vende armas ao país.

A política externa chinesa é só uma das causas da pressão internacional. ONGs também denunciam o cerceamento à imprensa, a falta de liberdade religiosa, a opressão ao povo tibetano, a prisão e tortura de dissidentes políticos e o uso indiscriminado da pena de morte, entre outros problemas.

Com sua liberação, os blogs são um fórum privilegiado de comentários, já que os atletas são proibidos de fazer manifestação política durante as disputas ou nas festas de premiação.

Mas o COI também impôs limitações, visando não infringir os direitos das empresas donas dos direitos dos Jogos. Assim, os atletas estão impedidos de usar imagens da Olimpíada e pôr áudio no ar. Estão vetadas fotos de áreas credenciadas.

Os blogueiros também não poderão ter contrato com empresas ou postar anúncios.

“O COI entende os blogs como uma forma de expressão pessoal, não como jornalismo. Isso quer dizer que, quando a pessoa credenciada aos Jogos postar um conteúdo sobre a Olimpíada, estará relatando unicamente a sua experiência pessoal”, divulgou o comitê.

A decisão do COI atende às reivindicações dos atletas vindas ao menos desde a Olimpíada de Atenas, em 2004, quando os blogs começaram a se popularizar entre os esportistas.

Spielberg chutando o balde, atletas blogando diretamente da China… essa olimpíada promete!

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