Arquivo para Janeiro, 2009

1000 anos

Péssimo primeiro e-mail aberto do dia:

Efeitos do aquecimento global durarão mais de 1.000 anos

Muitos dos efeitos danosos da mudança climática já são basicamente irreversíveis, diz uma equipe internacional de cientistas, advertindo que mesmo se as emissões de carbono puderem, de algum modo, ser interrompidas, as temperaturas mundiais continuarão altas pelo menos até o ano 3.000.

“As pessoas tinham imaginado que, se parássemos de emitir dióxido de carbono, o clima voltaria ao normal em 100 anos, 200 anos. Isso não é verdade”, disse a pesquisadora Susan Solomon em uma teleconferência.

Susan, do Laboratório de sistemas da Terra da Administração Nacional de Oceano e Atmosfera (NOAA) do governo americano, é a principal autora do artigo científico que descreve o dano irreversível da mudança climática, publicado na edição desta terça-feira, 27, da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Ela define “irreversível” como uma mudança que se manterá por mil anos, mesmo se os seres humanos deixarem de mandar carbono para a atmosfera imediatamente.

As descobertas foram anunciadas no momento em que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ordena uma revisão de normas que poderá levar carros mais eficientes e a um ar mais limpo.

Considerando que Obama assinou a lei no mesmo dia da publicação do artigo da sra Susan Solomon, e vendo que os EUA podem até estar vivendo a onda Yes we can change (mas talvez não a onda Yes we can unite) não sei a veracidade desse estudo. Quando os republicanos – todos – votaram contra a aprovação do pacote econômico para tirar os estadunidenses da recessão (que já dura 13 meses), ficou claro que o país não está em sintonia, disposto a acertar as engrenagens e fazer a coisa funcionar de vez, todos juntos. Há controvérsia no poder, na massa de força que toma as decisões que refletem por todo o mundo e deveria ser a primeira grande expressão do tal change do momento.

Há fatos concretos e relevantes no estudo da Susan Solomon, mas pessimista como é, e publicado no momento em que foi (dia da canetada de Obama) me soou mais como um alarde devidamente financiado por um mercado de energia fóssil e automotivo ameaçado pelo fim da era Bush, interessado em melar as intenções de Obama ou pelo menos torná-las impopulares. Espero que a Susan esteja errada na sua previsão.

Enquanto isso, pensar que todo esforço da humanidade pra deter o aquecimento global só traria resultados apenas daqui há 1000 anos nos coloca em prova mais uma vez: vamos ser conscientes e responsáveis agora e pegar pesado nos esforços pra combater o aquecimento global, ou seremos inconsequentes o suficiente pra legar por mais milênios o desequilíbrio antropogêneo do padrão climático às gerações futuras?

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Fórum Social Mundial – Belém

Greenpeace marcando presença na marcha de abertura do fórum:

E repare na trilha sonora: puro reggae, fya burning!

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Arctic Sunrise em Belém

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O navio MY Arctic Sunrise está em Belém, no Pará, e estará aberto para visitação neste final de semana e no próximo. Com ele vem uma exposição sensorial e interativa bem bacana sobre o aquecimento global e suas consequências pro planeta, caso nossos representantes mundiais não sejam coerentes e sérios na próxima reunião da Cop.

O povo da Cop na última instância é quem decide o futuro do planeta em termos climáticos, mas é possível contribuir individualmente – dá pra enviar mensagens pra delegação brasileira que estará na reunião; divulgar pela web o esforço do Greenpeace na luta contra o aquecimento global e, principalmente, remodelar nossa maneira de existência – com consciência, responsabilidade e altruísmo – mas é mais fácil ir começando por aqui.

O Greenpeace Brasil agora tem um blog e está no Twitter – vale dar uma conferida.

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Gaza

Cumpádi Escriba (que tá aqui neste exato momento) publicou um texto muito maneiro sobre o conflito em Gaza, escrito por um professor de jornalismo da UFRJ. O autor é judeu e o título do texto é  “Como judeu, sinto vergonha”. O texto surtiu mais efeito quando li, antes da trégua.

A intolerância (que gera ignorância e consequentemente o caos) é o verdadeiro problema em Gaza e afeta tanto os judeus como os palestinos. Com ela vem as guerras, os ataques em locais públicos e a dor. O ciclo não vai parar até que todos compreendam que somos parte do mesmo todo.

Obviamente, é mais fácil enxergar isso quando se está a um oceano de distância da violência e do terror. Mas é a chave pro começo da paz.

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2035 – parte 3

Um tremendo vacilo de minha parte. Há semanas, André Dahmer publicou a terceira parte de 2035. Eu li e me amarrei. Mas, esqueci de compartilhar com o cyberespaço:

2035-3
O futuro apocalíptico da humanidade num sonho do autor. Há uma mulher. E não é recomendado para menores de 18 anos ;)

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Spam

Não acredito. Agora tem spam no YouTube?

Ou isso já existe há um tempão e eu tô por fora?

Mas que maracutaia.

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The Field Lab

No começo, eu me amarrei na idéia do cara:

desert

Naipe estiloso do tiozão

The Field Lab
Southwest Texas Alternative Energy And
Sustainable Living Field Laboratory

Um senhor que decidiu recomeçar a vida, mas completamente off the grid – sem estar preso à rede energética e pública que nos cerca. Ele largou a boa vida como fotógrafo em NY e comprou um terreno no sul do Texas, no meio do deserto, e desde então vive alimentado por sua própria energia caseira gerada à partir de paineis solares, turbinas eólicas e enormes baterias. Tudo feito por ele: a pequena casa, as instalações internas, o sistema de reaproveitamento de água da chuva, o chuveiro externo, o banheiro seco e até a horta (tá pequena ainda) que ele pretende transformar em seu provedor de comida. John Wells vive de enlatados e visitas à pequenas mercearias locais. Bloga sobre o desafio de construir seu laboratório – sua intenção é provar que não precisamos da rede elétrica, esgoto, água e talvez até serviços públicos pra sobreviver.

E vai além. Desconectou-se do sistema gigantesco do consumo e das facilidades que a vida moderna oferece (apesar de ter telefone e internet em casa), optou por se refugiar com a falecida cadela Goldie no meio do nada quando se deu conta de que, perto dos seus 50 anos, não tinha feito nada na vida que honrasse seus ancestrais ou o esforço que eles tinham feito para que ele, hoje, pudesse existir. Perdeu o pai, teve o estalo, e largou a “civilização”. Se isolou pra fazer algo bacana – vai provar que dá pra recomeçar, em qualquer época da vida, diante de qualquer desafio.

É bacana, e tenho certeza que ele vai conseguir. Ele já está há um ano na jornada – é só seguir em frente. Mas lendo um pouco do blog do cara é possível encontrar textos sobre a eleição estadunidense e sobre Obama (a quem ele homenageava quando comprava cigarros) que me fizeram estranhar. Devo respeitar profundamente a opinião do cara sobre política, redneckresimo e conservadorismo – é a casa dele. Só é esquisito pensar num conservador desistindo do sistema e procurando provar a sustentabilidade para o mundo – não eram os hippies os alternativos?

Desisti de postar, mas fui encorajado pelo colega Escriba, que sugeriu:

Posta a real. O cara tá fazendo algo bacana e tal. Daí você ressalva que ele colocou isso e isso sobre o Obama, redneck e pá..

Tá aí. Acho bacana que se tome conhecimento da história de Wells. Tem fotos bacanas no flickr do cara – o deserto fica mais charmoso nas fotos clicadas por alguém que trampava com o assunto, mas mais que isso, todo o esforço do cara é bonito. Julgar o véio nem deveria passar pela cabeça.

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Arnaldo César Coelho iluminado

A regra de ouro é clara:

fazer sempre o bem.

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Projeto Terra

O Independent perguntou:

What can we do to save our planet?

E responderam vários cientistas do mundo sobre um possível “plano B”  para a humanidade, caso o aquecimento global nos dê a rasteira que promete. O que devemos fazer? O que ainda dá tempo de fazer?

A maioria das respostas citava a geoengenharia, sem consenso sobre a eficácia ou perigo que ela pode gerar. Jim Lovelock apoiou o uso da técnica em conjunto com outras medidas de redução de CO2 na atmosfera, e Paul Crutzen pediu pra pesquisar mais antes de responder, “já que não prevê o futuro”.

Geoengenharia me lembra que quando o padrão climático da Terra começa a ser alterado (por ação humana ou não) consequências imprevisíveis brotam por todo o  planeta – e  é exatamente isso que estamos tentando combater, não?

Remodelar o planeta em escala global chacoalha toda nossa existência, até quando não nos damos conta do que estamos fazendo. Precisamos estar atentos para as consequências das ações de combate ao aquecimento global que tomaremos nos próximos anos. O crédito de carbono virou bussiness – o que aconteceria se a geoengenharia caísse nas mãos de grupos mais interessados na grana do que no nosso futuro?

Foi a nossa inconsequência que gerou toda essa bagunça.

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The BPA – Toe Jam

Hehehe.

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