Satori Movement e a nossa comida
28 Abril 08 — salomon
A Satori Movement, marca ligada ao movimento sk8, produz materiais ecológicos e aposta em rodas de skate sem uso de petróleo em seu processo de produção (eles usam um óleo produzido a partir de milho, o que não é exatamente ecológico, mas chuta o uso da “água negra” pra longe).
Eles também têm uma coleção de roupas - todas feitas à partir de bambu ou, sim, maconha (cânhamo).
As rodas de skate chegarão às lojas gringas em junho, mas as roupas já estão sendo vendidas online pela Culture Skate - mas você precisa confirmar o pedido por fax ou e-mail pra evitar fraudes.
É bacana ver todo mundo buscando alternativas ao uso de materiais provenientes do petróleo - temos carros flex, biodiesel e até rodas de skate “ecológicas”. O problema é que a demanda por compostos produzidos à partir da cana, do milho e de sabe-se lá o que mais está criando uma bomba inesperada - o preço da comida no mundo está subindo. Quando o mundo optou por cultivar bens que servirão para gerar combustível, ração para animais (o Ocidente come mais carne do que nunca) ou estes novos materiais “ecológicos”, o espaço destinado ao cultivo de comida encolheu. E a comida disponível no mercado, que já é mal distribuída, ameaça criar uma crise global, com preços exorbitantes. Some aí o fato de todos os nossos alimentos estarem concentrados nas mãos de poucas empresas globais, com o uso de agrotóxicos desenfreado e mais o golpe de misercórida - os transgênicos - fazerem parte de nosso menu diário e - voilá! - vamos continuar pagando caro, e agora ainda mais caro, por uma comida tóxica, geneticamente modificada e que enche os bolsos de um punhado de empresas inconsequentes.
Sei (e muito bem) que apologia ao uso da erva é crime. Mas erva dá em tudo quanto é lugar, não precisa de hectares e hectares pra suprir uma demanda global por matéria-prima alternativa. Não seria o caso de considerarmos essa alternativa?
UPDATE: Uma reflexão e consideração mais detalhada sobre os biocombustíveis X preço dos alimentos aqui, no blog da gabi.




