Arquivo para Março, 2008

A meditação, o budismo e a China

Se você buscar por “Dalai Lama” no Google, vai provavelmente se deparar com toneladas de notícias sobre os confiltos no Tibete em favor da autonomia da região. A China insiste em dizer que a coisa toda foi iniciada pelos monges budistas, que teriam usado de violência e agressão nos protestos – o que pode ou não ser verdade, já que um dos pilares do budismo é o pacifismo e a não-violência, mas existem “facções” do budismo que são “fundamentalistas” e ligadas a partidos políticos que são a favor do uso da força como solução para impasses como a ocupação do Tibete.

Mas vamos deixar a briga de lado por um momento e ler este artigo (em inglês), publicado na Newsweek sobre os efeitos da meditação no cérebro humano. O autor explica que a meditação altera áreas do cérebro, dependendo do estímulo usado, que consequentemente mudam nossas atitudes diárias e postura com relação aos acontecimentos rotineiros. Metidando sobre a alegria, o cérebro humano “expande” a área destinada a interpretação/desenvolvimento de atitudes alegres – ou positivas – que se relacionarão com outros pensamentos e atitudes, influenciando-os e talvez até mesmo moldando esses pensamentos.

Os budistas são capazes de meditar até mesmo por seus oponentes, como fazem os cristãos ao “perdoar a quem nos tem ofendido”. A meditação da compaixão busca gerar um sentimento de amor por todos os seres vivos, incluindo oficiais do exército chinês e até o próprio George Bush. Considerando o pacifismo, a meditação da compaixão, a censura on-line que rola na China e os jornalistas desaparecidos no país, voltemos aos conflitos no Tibete: quem está mentindo?

UPDATE: Há muitos budistas na China, crescendo cada vez mais o número de fiéis. O governo não encrespa com o crescimento da religião no país por considerar que a religiosidade é essencial para os “valores tradicionais familiares chineses”, mesmo tendo “adotado” o taoísmo como “religião oficial”. Relatos indicam que o povo chinês budista está dividido – muitos apóiam os protestos no Tibete, mas muitos repudiam. MAS, com a censura chinesa, como saber o que é verdade?

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Vício em internet é comentado por especialista

Do Yahoo!

O psiquiatra americano Dr. Jerald Block, especialista da Universidade de Saúde e Ciência de Oregon, em Portland, divulgou um novo estudo a respeito do vício em internet na respeitada publicação American Journal of Psychiatry.

Nele, Block alerta para alguns dos sintomas do vício, que incluem uso excessivo da rede, freqüentemente associado a perda de noção do tempo; sentimento de raiva, tensão ou depressão quando não existe um computador por perto; necessidade de melhores máquinas, mais softwares e mais horas de uso e ainda outras repercussões negativas, como brigas, mentiras, fadiga e isolamento social.

Segundo o site The Guardian, a Coréia do Sul é um dos locais onde o problema é maior, já que é o maior mercado banda larga do mundo. Ao menos dez jovens já morreram por usar a internet por longos períodos em cibercafés, colocando o vício em internet como um dos problemas mais sérios de saúde pública do país.

Acredita-se também que cerca de 210 mil crianças sul coreanas precisem de tratamento, sendo que destas 80% precisariam de medicamentos e 25% deveriam ser internadas. O problema pode ser pior, com a descoberta de que 1,2 milhão de adolescentes estão em risco de vício após o resultado de pesquisas que indicam que jogadores passam em média 23 horas por semana em mundos virtuais.

O problema, contudo, não está apenas na Coréia: autoridades chinesas estimam que 13,7% de todos os seus jovens internautas, um número que chega a 10 milhões de pessoas, podem ser consideradas viciadas. Nos Estados Unidos, as estimativas são mais complicadas de realizar, já que a maior parte dos usuários utilizam conexões domésticas, e não cibercafés.

Block alertou para o fato de que o vício em internet é resistente a tratamento, mas esclareceu que este não está ligado a um serviço ou site específico. “O relacionamento é com o computador”, explicou acrescentando que após ganhar importância, o computador troca experiências que poderiam ser reais por virtuais e, quando tirados dos usuários viciados, pode levar a depressão ou a raiva.

Como resposta a este tipo de problema relativamente novo, clínicas que tratam destes vícios começaram a surgir, bem como grupos de apoio. Robert Freedman, editor do American Journal of Psychiatry explica que as expressões do vício podem ser diversificadas. Enquanto na Coréia o problema parece ser relacionado a jogos, na América são as redes sociais. “Pornografia, jogo, aposta, chat com os amigos. Isto tudo existia antes, mas agora está muito mais fácil”, comentou.

Freedman aposta que para resolver o vício, a resposta pode ser simples: substituir grupos online por reais, e começar a freqüentar grupos de apoio. No Brasil, universidades como a PUC e a Unifesp oferecem atendimento gratuito para viciados em internet.

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Dor!

Agora vejo que é perfeitamente compreensível que um animal aja com selvageria por causa de uma dor.

Não ataquei ninguém ainda. Ou eu mato um ou a dor de dente me mata.

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Para Zion…

Mikey Dread se foi. Deixou o sofrimento da doença e foi fazer parte da eterna paz e serenidade da única fonte de existência real (que alguns chamam de Jah, outros de Deus, de Allah, Jeovah…)

Talvez a maior lição de Mikey (sem considerar os magníficos toasts e a ginga no soundsystem) esteja em seu maior hit, “Roots and Culture“: não nos esqueçamos de onde viemos! Não nos esqueçamos quem somos! Não devemos cuspir no prato que comemos.

Na música, Mikey se refere aos rastas que, depois de experimentarem a fama e o dinheiro (que vem como consequência), esquecem que vieram dos guetos de Kingston, da miséria, da falta de recursos e de atenção. O ego fala mais alto, a cocaína entope o cérebro, e o rastafarianismo vira fachada: a espiritualidade, real busca dos rastas, prega conceitos como a humildade, igualdade, respeito e cuidado com o corpo -  abandonados nas orgias em quarto de hotéis e em brigas desnecessárias por títulos de “reis do reggae”.

É uma lição que serve para todo mundo, não somente aos rastas. Somos todos feitos da mesma coisa, desde o pó no chão ao prédio mais alto do mundo; do microorganismo que reside nos entulhos do lixão aos pratos mais caros dos mais luxuosos restaurantes. Somos todos uma única coisa, não importa de onde viemos ou onde estamos. Somos todos parte do mesmo todo.

Descanse em paz, Mikey.
(01-01-1954 em Port Antonio, Jamaica – March 15, 2008, em Connecticut, EUA)

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O movimento verde e a maquiagem verde

Rex Weyler, “historiador não-oficial” do Greenpeace, tem uma coluna mensal no site do Greenpeace Internacional onde escreve sobre as questões ambientais do ponto de vista de um ex-Greenpeace, macaco velho e calejado.

Na coluna desse mês, Weyler critica a “onda verde” que tem tomado de sopetão os noticiários, os produtos que consumimos, as idéias que andamos tendo. Uma consciência ecológica em massa é tudo o que os ambientalistas sempre desejaram; mas, o que é real e o que é marketing, ou “maquiagem verde” hoje em dia? Weyler se indaga sobre o mesmo:

“To be fair, for decades, those in the environmental movement have wanted ecology to become popular, so we can hardly complain that it is. Consumer choices impact the environment, and we might rejoice that the shopping public is aware of this. Nevertheless, since consumption itself remains a root cause of our ecological crisis, we must ask: “Who is really gaining ground and who is blowing promotional smoke?”

Não que eu queira me comparar a Weyler, mas eu também já tinha me perguntado sobre isso quando li o Manual de Etiqueta da Planeta Sustentável (que tem entre seus parceiros a Bunge, transgênica até o último grão de soja).

Esses dias vi um comercial de alguma TV por assinatura que mostrava uma árvore desde a sua derrubada até virar um guia de programação, finalizando com o locutor dizendo algo do tipo “você não acha um absurdo derrubarem uma árvore só pra publicar um guia de TV?“. Há alguns anos, um comercial desse tipo assinado por algum grupo ambientalista seria visto com desprezo – hoje, usar da questão ambiental pra se promover é marketing moderno, digno de séria preocupação das diretorias corporativas.

Mas o que está acontecendo com a gente? Por que somos tão bons em aproveitar as tendências que nos rodeiam para nos promover, e péssimos em dar o braço à torcer e reconhecer que precisamos mudar nossas atitudes? De nada adianta sair dizendo que apoiamos projetos ambientais, ou que reflorestamos áreas enormes, ou que nossos produtos consumem menos energia, se para oferecermos os melhores produtos em nossas prateleiras cruzamos o mundo transportando a matéria-prima, emitimos CO2 na atmosfera e poluímos o trajeto inteiro.

Um exemplo? A Wal-Mart americana agora oferece opções de produtos ecológicos nas gôndolas, bem ao lado de produtos não-ecológicos (o que acaba forçando os não eco a serem eco a longo prazo). Eles custam mais caro que os não ecológicos – mas é a tarifa que se paga por uma consciência limpa. Portanto, a Wal-Mart é uma empresa ecológica? NÃO. Dois corredores depois, você encontrará a seção de frutas e legumes, repleta das melhores e mais belas variedades que você já viu. Todas trazidas de lugares remotos, à milhares de quilômetros da unidade do Wal-Mart. Qual o custo ambiental e social de trazer ao consumidor americano o mamão papaia mais lindo que já se pôde colher, diretamente das florestas tropicais da Indonésia?

Weyler e Fidel Castro, e eu também, concordamos: precisamos mudar a mentalidade de consumo. Ela é a causa da crise ambiental.

UPDATE: transmimento de pensação: o Jorge também concorda.

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The Chaser e os americanos

O grupo australiano “The Chaser” é mestre em colocar os entrevistados em situações complicadas, principalmente quando envolve questões políticas em seus programas. No caso dos americanos, eles não precisaram fazer muito – bastou mostrar um mapa e perguntar onde ficavam países como o Iraque ou a Nova Zelândia. Julian Morrow, o entrevistador , chegou a se identificar como John Howard (ex-primeiro ministro da Australia) e receber os “cumprimentos do povo americano pelo país que a Australia representa no mundo”.

O vídeo abaixo, com legendas em espanhol, é uma aula de como fazer o que bem entender com a política interna e externa de um país – basta manter o povo com uma educação básica, crua, para que não haja contestação, e centralizar todo o (limitado) conhecimento ensinado nas escolas num único lugar do mapa: os Estados Unidos.

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Enquanto isso, ao sul do Equador…

A Colômbia me surpreendeu nos últimos dias.

Depois de chacinar no Equador um grupelho das FARC (incluindo nas vítimas o nº 2 do grupo) e invocar Deus e o mundo contra a Venezuela (que foi acusada de financiar as atividades das FARC, segundo dados encontrados nos computadores que resisitram ao ataque), pediu desculpas por tudo e sumiu das rodinhas diplomáticas, preferindo se abster de qualquer comentário sobre o ataque.

É bacana saber que a Colômbia resolveu dar um jeito em casa e limpar a sujeira que as FARC andam fazendo. Nenhum tipo de violência é justificável, nem em cima do ideal mais nobre – minha antipatia pelas FARC vem do fato de o grupo usar justamente a violência para se manter ativo. Mas Uribe também pisou na bola. É claro que usar de diplomacia com as FARC não era opção ao presidente colombiano, mas apelar para as mesmas táticas que tanto recrimina é, no mínimo, hipocrisia. E pior – invadir um país, iniciar um ataque e sair como se nada tivesse acontecido é excesso de confiança, quase arrogância e prepotência. Uribe imaginou que o mundo iria apoiar seu feito?

Observe o padrão “ataques – prepotência – o mundo estará ao meu lado“. Isso não lembra um certo país norte-americano, especialista em pagar de salvador dos oprimidos, mesmo quando o uso da força é necessário? Sim, é quase certo que Uribe contou com o apoio dos EUA no ataque. Em sua política de extinção do tráfico de drogas, Uribe vem sendo amplamente aplaudido pelos EUA e provavelmente conta com apoio tecnológico americano para contra-atacar as FARC. O grupo exterminado no Equador foi atingido por bombas de precisão em um local de difícil acesso, em um momento extremamente propício e de maneira rápida. Igualzinho aos primeiros ataques no Iraque e no Afeganistão, para citar os exemplos mais atuais.

Mas Uribe não é Bush, e Correa não é Saddam – o presidente equatoriano sabe que se a coisa ficar preta, Chávez trará a cavalaria anti-estadunidense. E Uribe não deve ter noção do problema que é comprar uma briga com a Venezuela. Chávez não é (nem um pouco) do tipo que fica quieto, e ser acusado de financiar as FARC num momento de baixa popularidade e de exibições mundiais de libertação de reféns das FARC é invocar a ira da reencarnação de Bolívar. É mais pano pra manga de Chávez.

É triste ver que na guerra contra as drogas, que ceifa milhares de pessoas direta e indiretamente, egos e politicagens se misturem com violência, arrogância e idealismo. Os EUA não têm muita escolha, sabem que para controlar o tráfico em seu país precisarão mexer no caldo colombiano. Mas deveriam ter aprendido, com os fracassos no Vietnã e Oriente Médio, que a tática de impor presença à base da força e do discursso messiânico não funciona, nem quando isso é feito indiretamente pelo presidente de outra nação. Os iraquianos não estão libertos da opressão (promessa não cumprida pelos EUA) e a América Latina mais regrediu do que progrediu no combate ao tráfico – Equador e Colômbia só se estranharam e Chávez saiu como o guerreiro pronto para combater as injustiças no continente.

Me pergunto se realmente entrando em recessão, os EUA terão verba pra financiar esse tipo de bagunça.

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Alborosie – Herbalist

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Presentes de aniversário que nunca esperava ganhar

Um argentino dizendo que o Pelé é melhor que o Maradona:

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Claro que o Hernan, em seu portunhol adquirido em várias passagens pelo Brasil, não poderia deixar de dizer que era “solo” no dia do meu aniverário. Hehe.

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