Taxman - Lucky Dube

Lucky Dube. Covardemente assassinado diante do próprio filho em outubro de 2007, em Johanesburgo, por um ladrãozinho pé-de-chinelo que roubou seu carro.

Foi considerado o rei do reggae africano. Começou cantando Mbaqanga (música tradicional sul-africana, cantada em zulu) mas mudou para o reggae ao conhecer o rastafarianismo. Lucky nunca foi a favor do consumo de ganja (nem todos os rastas apóiam), e ao contrário, pregava que o ingrediente essencial da meditação era a música, e somente ela. Também cantou contra o apartheid, a miséria, a corrupção e, ironia do destino, contra a violência no continente negro - a mesma que lhe ceifou a vida.

Meus primeiros contatos com o reggae começaram com o cd Taxman, que apareceu na minha mão em 1997, vindo de um amigo que tinha passado um tempo no Caribe (ao invés de Bob, meu amigo conta que os lojistas sugeriram Lucky quando perguntados sobre um reggae maneiro pra levar pro Brasil, provando que Lucky não era rei somente no continente africano). Tive o privilégio de vê-lo pouco tempo depois, no Ruffles Reggae de 1997, mas não tinha ainda o discernimento sobre quão importante era aquele momento. Era a única vez que o veria pessoalmente, há bons metros de distância do palco.

Taxman, faixa-título do cd, é pra mim, junto com Guns and Roses (do mesmo álbum) o melhor som de Lucky.

Aleluia!

Satori Movement e a nossa comida

A Satori Movement, marca ligada ao movimento sk8, produz materiais ecológicos e aposta em rodas de skate sem uso de petróleo em seu processo de produção (eles usam um óleo produzido a partir de milho, o que não é exatamente ecológico, mas chuta o uso da “água negra” pra longe).

Eles também têm uma coleção de roupas - todas feitas à partir de bambu ou, sim, maconha (cânhamo).

As rodas de skate chegarão às lojas gringas em junho, mas as roupas já estão sendo vendidas online pela Culture Skate - mas você precisa confirmar o pedido por fax ou e-mail pra evitar fraudes.

É bacana ver todo mundo buscando alternativas ao uso de materiais provenientes do petróleo - temos carros flex, biodiesel e até rodas de skate “ecológicas”. O problema é que a demanda por compostos produzidos à partir da cana, do milho e de sabe-se lá o que mais está criando uma bomba inesperada - o preço da comida no mundo está subindo. Quando o mundo optou por cultivar bens que servirão para gerar combustível, ração para animais (o Ocidente come mais carne do que nunca) ou estes novos materiais “ecológicos”, o espaço destinado ao cultivo de comida encolheu. E a comida disponível no mercado, que já é mal distribuída, ameaça criar uma crise global, com preços exorbitantes. Some aí o fato de todos os nossos alimentos estarem concentrados nas mãos de poucas empresas globais, com o uso de agrotóxicos desenfreado e mais o golpe de misercórida - os transgênicos - fazerem parte de nosso menu diário e - voilá! - vamos continuar pagando caro, e agora ainda mais caro, por uma comida tóxica, geneticamente modificada e que enche os bolsos de um punhado de empresas inconsequentes.

Sei (e muito bem) que apologia ao uso da erva é crime. Mas erva dá em tudo quanto é lugar, não precisa de hectares e hectares pra suprir uma demanda global por matéria-prima alternativa. Não seria o caso de considerarmos essa alternativa?

UPDATE: Uma reflexão e consideração mais detalhada sobre os biocombustíveis X preço dos alimentos aqui, no blog da gabi.

Free Tibet nas alturas

Esquemas de segurança fortíssimos? Isolamentos de áreas que tomam quilômetros? Polícia louca pra dar uns sopapos em manifestantes? Sem nenhuma chance de realizar qualquer protesto?

Não tem problema! Nada que um pouco de criatividade não resolva:

Defensores das Olimpíadas de Pequim observam passagem da tocha olímpica por Canberra, na Austrália,
enquanto avião de grupo de protesto começa a ‘escrever’ no céu a frase ‘Free Tibete’ (Liberte o Tibete)

Guia de brigas para pacifistas

Envolvido em uma treta ou tumulto generalizado, ou estando diante do conflito e desejando fazer algo (como prega o bearing witness), o pacifista deve procurar amenizar ou apartar a situação, sem tornar-se agressor ou agredido. Este guia pode ajudar na resolução de confrontos ou ao menos evitar que o pacifista desavisado torne-se boi-de-piranha dos tumultuadores.

1 - Estude o cenário - Normalmente, é fácil identificar os agressores. Porém, as vítimas, para defenderem-se ou num momento de descontrole, podem virar agressores. Procure observar os envolvidos com cautela. (Comitivas de rodeio normalmente não se bicam).

2 - O que está rolando? - Quem começou a briga? Qual foi o motivo? Mexeram com a mulher de alguém, os envolvidos se insultaram? Está todo mundo bêbado? É interessante saber quais foram os fatos que deram início ao tumulto, para tentar amenizar os futuros acontecimentos. Em festas promovidas em ano eleitoral pela prefeitura da cidade, regadas a álcool e rivalidades, é comum que haja conflitos. (Você já se indignou ao pensar que o dinheiro público está sendo usado pra negada sair na mão?)

3 - Não tome partido - Não importa quem começou, não importa quem revidou - se há violência, estão TODOS errados. Para apartar uma briga, é necessário ser neutro. Evitar tomar partido é evitar a violência.

4 - Segurança - O arranca-rabo está repleto de armas? Neguinho está girando espadas com as mãos? Avalie os riscos antes de botar a cara pra bater. Chamar as autoridades também é uma forma de, digamos, promover a segurança.

5 - Entre no palco! - Querer que a briga pare ficando do lado de fora dela não funciona. Gritar, berrar ou urrar “PAREM!” é inútil - os envolvidos normalmente só têm olhos e ouvidos para o calor do momento. A intervenção é necessária para cessar um conflito imediato.

6 - Não torne-se um agressor - Ao separar os envolvidos, é necessário tomar medidas para evitar tornar-se, também, um agressor. Qualquer interpretação de que você é mais um dos brigões pode levar ao fracasso. Movimentos brutos, mãos muitos levantadas e esquivas muito ligeiras podem dar a entender que você está na briga. O ideal é estar na posição de defensiva - mas sem parecer que você está no tumulto.

7 - Aparte! - Separe os quebra-paus mais graves antes. Intervenha, ponha-se na frente. Segure pernas, braços e pés.

8 - Remova os inocentes - Crianças, senhoras de idade e perdidos da ocasião devem ser levados para longe da baderna. Não esqueça de avisá-los para manterem-se longe e buscarem ajuda.

9 - Puliça! - Quando as autoridades chegarem, não resista se for detido. A resistência levará as autoridades a crerem que você faz parte da confusão. Seja detido se for necessário, vá até a delegacia e faça um boletim de ocorrência.

10 - Denuncie - Se você identificar os culpados da treta, ou ao menos indicar alguns dos integrantes envolvidos, poderá evitar novas ocasiões de briga. Claro, isso se a polícia realmente prender os culpados (e se estes não forem pessoas influentes da sociedade - ou parentes deles).

Esteja pronto para arranhões, socos e pontapés, também. É praticamente impossível apartar uma briga sem levar alguma. Mas, seja otimista! A enfermeira do hospital pode ser uma bela duma gostosa.

Free Tibet

O padre gente-fina

O arcebispo e vencedor do prêmio Nobel da Paz, Desmond Tutu, sobre o aquecimento global e as maiores potências mundias (li aqui):

“Climate change is real, and it is happening now. Over 80% of the emissions currently in the atmosphere have been put there by the G8 group of rich countries. But many rich world leaders have not, so far, responded to the climate crisis with the urgency required. Cushioned and cosseted, they have had the luxury of closing their minds to the real impact of what is happening in the fragile and precious atmosphere that surrounds the planet we live on. I wonder how much more anxious they might be, if they depended on the cycle of mother nature to feed their families. How much greater would their concerns be if they lived in slums and townships, in mud houses, or shelters made of plastic bags? In large parts of sub-Saharan Africa, this is a reality. The poor, the vulnerable and the hungry are exposed to the harsh edge of climate change every day of their lives. The melting of the snows on the peak of Kilimanjaro is a warning of the changes taking place in Africa. Across this beautiful but vulnerable continent, people are already feeling the change in the weather. But rain or drought, the result is the same: more hunger and more misery for millions of people living on the margins of global society. In the past 10 years, 2.6 billion people have suffered from natural disasters. That is more than a third of the global population - most of them in the developing world. The human impact is obvious, but what is not so apparent is the extent to which climatic events can undo the developmental gains put in place over decades. Droughts and floods destroy lives, but they also destroy schools, economies and opportunity. It is time to stop this cycle of destruction. At the Major Economies Meeting in Paris, developed countries must commit to immediate action against climate change. The United Nations need to deliver an action plan to save the planet at the climate change conference in 2009. There is no time to be distracted from the urgent task to deliver this global rescue plan. The world is watching, and those who are feeling the impacts of climate change today, are expecting decisive action – now.”

(Leia sobre Tutu no link do Wikipedia antes de fazer qualquer julgamento.)

Can We Solve It?

Al Gore, o “embaixador das mudanças climáticas” está apostando em uma campanha de envolvimento pessoal. Depois de anos de lobby na política, de ganhar um Nobel e lançar um documentário, Gore finalmente viu que sem o apoio dos indivíduos, pessoas como eu e você, a luta contra o aquecimento global não vale de nada.

We Can Solve It é o nome da campanha, lançada online e offline. O site é bem bacana, bem explicativo, cheio de vídeos e com apelo imediatista (afinal, Gore sabe que a hora de ficarmos na teoria já passou - faz no mínimo uns 16 anos, desde a Eco 92). Há também petições, vídeos e propostas para solucionar a crise que, com o perdão do trocadilho, vai esquentar o planeta.

Mesmo convocando o mundo todo para se engajar, é nítido que o site é focado no público estadunidense. É época de eleições nos EUA e é muito provável que um democrata leve a faixa dessa vez (err… os votos da Flórida e dos eleitores que estão fora do país serão contados direitinho dessa vez, né EUA?) e o apoio de Gore como um superdelegado é decisivo. Obama Barack e Hillary Clinton precisam de Gore, e Gore precisa do mundo do seu lado. Acho que isso explica o teor “join us, America!” do site.

Mas, do mesmo jeito que me pergunto se os eleitores americanos estão prontos para uma mulher ou um negro na presidência dos EUA, me pergunto se eles estão prontos para dar um passo adiante contra o aquecimento global. Envolver-se com essa questão significa mudar hábitos de consumo de uma sociedade fundamentalmente consumista, e talvez uma adaptação numa economia já assombrada pela recessão. Desde o segundo ano da guerra no Iraque, a população estadunidense começou a enxergar a realidade com olhos diferentes, bem parecidos com os dos hippies que tomaram o país nas imensas manifestações nos anos 70: nem sempre a mídia fala a verdade (especialmente quando quase toda ela está nas mãos de Rupert Murdoch); nem toda guerra vale a pena (pra não dizer nenhuma); e a fórmula do capitalismo é falha (ela considera que os recursos são ilimitados e que o uso deles não causa nenhum impacto para a humanidade). Mas, daí pra uma grande mudança há um vale gigantesco, que a direita americana finge não existir e a esquerda tem medo de cruzar.

Can we solve it? Não sei. Muitos dizem que todas as espécies que já passaram por este planeta evoluiram ou foram extintas. Se não mudarmos o rumo do consumo e da política global agora, em breve seremos praticamente extintos. Nos resta evoluir - talvez adquirirmos guelras para sobreviver num mundo com o nível do mar acentuado, como em Waterworld, ou nos tornarmos aptos a viver com pouquíssima água e comida não seja o caminho. Talvez nos baste evoluir somente o pensamento.

Collie Buddz - Come Around

Malcolm Evans

O Greenpeace Nova Zelândia contou com o apoio do cartunista Malcolm Evans em sua campanha contra o aquecimento global. Durante a visitação do navio Rainbow Warrior, Evans desenhou num pôster uma “charge” criticando os políticos que não enxergam o “elefante” imenso que é o aquecimento global. A charge ficou bem bacana:

Malcom Evans e sua charge

Tem também um vídeo de Evans desenhando a charge aqui.

Evans me impressionou. O estilo dele é cartum clássico, de pinceladas rápidas e fortes, mas o cara não é só bom desenhista - é também um crítico da política internacional, da política australiana (que insisitia em desacreditar no Protocolo de Kioto até bem pouco tempo atrás), do descaso com o aquecimento global e, claro, como todo ser humano que tem um pouquinho de cérebro, um crítico da política Bushiana.

UPDATE: O site do Evans é maneiro, mas não achei nele uma das melhores charges sobre o aquecimento global que já vi:

malcom_1.jpg
“Menosprezando a maior bomba que teremos que desarmar”